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Saturday, February 21, 2015
Monday, July 14, 2014
O teu rosto será o último, João Ricardo Pedro
Em capítulos curtos, episódios parecendo quase contos, descreve-se a vida de uma família portuguesa durante o siglo vinte, na Revolução, na ditadura, na Guerra Colonial. Mas pouco a pouco revela-se a história do Duarte e da relação dele com a musica do Mozart, do Beethoven, do Bach. O miudo que se arrancou as unhas, a professora de canto dele, o porquê do distanciamento dele com o piano, até deixá-lo completamente. A compreenssão das razões, a aceitação.
Wednesday, July 2, 2014
Budapeste, Chico Buarque
Escritor anónimo, José Costa produz artigos de jornal e discursos políticos sob o nome doutras pessoas. Ele gosta de ouvir suas palavras nas bocas doutros, e ficar no anonimato corresponde bem a ele. Vivendo no Rio de Janeiro com a mulher dele, a Vanda, escreve uma biografia para um alemão que vai se tornar um êxito literário. O anonimato torna-se um bocadinho pesado, neste momento, mas ele tem uma aventura com outra mulher, e outra língua.
Saturday, April 5, 2014
O sol se põe em São Paulo, Bernardo Carvalho
Quando a dona de um restaurante japonês em São Paulo pergunta ao narrador se ele ser escritor, isto raviva o seu desejo de sê-lo. Então vai descubrir a história da imigrante mesclada à do Japão da Segunda Guerra, uma história de amor complexa, um triângulo amoroso entre uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyōgen, o teatro japonês cómico.
Saturday, February 15, 2014
A mentira sagrada, Luís Miguel Rocha
Quando o décimo sexto Papa Bento foi eleito, recebiu com a carga da Igreja um envelope do Papa João Paulo e uma capa de couro. Nesta estava guardado um segredo partilhado apenas por papas. Terá a ver com os pergaminhos do Mar Morto descobertos na verdade por um banqueiro israelita que se chamava Ben Isaac? Mas o Statu Quo, o acordo de 50 anos entre ele e a Santa Sé está agora em perigo.
Saturday, December 21, 2013
O miúdo que pregava pregos numa tábua, Manuel Alegre
Escrito à primeira pessoa, «O miúdo que pregava pregos numa tábua» não usa muito o eu. Prefera utilizar expressões contornadas, perifrases vindo de um pasado que talvez possa ser o do narrador ou não, a memória enganando-se com tantos episódios da televisão ou do cinema que nem sabemos se todas as nossas memórias são verdadeiras ou não.
Saturday, December 7, 2013
Thursday, October 24, 2013
Wednesday, September 25, 2013
Wednesday, August 28, 2013
O matador, Patrícia Melo
Tudo começou por uma bobagem, por assim dizer. Um palavrão que nem era um, nada de ofensivo, mas o suficiente para o Máiquel propôr um duelo. O Suel morto, Máiquel não foge, não sabe o que fazer. Depois, a gente do bairro dá-lhe presentes, agradecem-lhe, até os policiais, converte-se num herói. E daqui pouco, têm vinganças para satisfazer, malucos dos quais querem se ver livres.
E o Máiquel que queria só encontrar um trabalho, amar uma mulher, ter uns sapatos bonitos, vai descobrir o seu papel na sociedade, o do Matador.
Às vezes fazemos a escolha, às vezes a escolha fá-nos.
Tuesday, June 11, 2013
A caverna, José Saramago
Quando o Centro recusa a entrega da olaria de Cipriano Algor, por causa dos clientes não querem mais a louça, os pratos e os cântaros de plástico sendo mais ligeiros e práticos do que os de barro, parece estar a chegar o fim de um período da sua vida.
Mas a sua filha tem outras ideias, e o Achado, o cão que fixa domicílio na casota da sua casa, vai mudar as suas ideias. Há também Isaura Estudiosa, a viúva que encontre no cemitério…
Thursday, June 6, 2013
Um céu demasiado azul, Francisco José Viegas
Um homem é encontrado morto no porto-bagagens do seu próprio carro. A intriga do crime está posta; entram en cena o inspector Jaime Ramos, da Polícia Judiciária do Porto, e Filipe Castanheira, o seu amigo polícia nos Açores, em Ponta Delgada, que vai o ajudar.
Thursday, May 23, 2013
Wednesday, May 8, 2013
Um conto
O pescador despertou com o raiar do sol. O mar estava calmo, sem ondas nas primeiras luzes do dia. Tinha dores por todas partes, estava tudo ensopado pela tempestade da noite.
O barco era apenas capaz de flutuar, o mastro destroçado, a vela, ou o que ficava dela, em farrapos.
Na água, prendida no bordo da barca, a rede tinha nas malhas dela uns detritos do mar, no meio dos quais se podia ver um peixe tão grande que não tinha podido caber na barca, se estivesse sido em tão mau estado.
O pescador usava o único remo que sobrava para dirigir o barco para a costa. Estava delirante de sede, as mãos dele estavam fendidas pelas bolhas, tinha os olhos semi-abertos para os proteger do sol. No seu delírio, ouvia uma ladainha lamurienta que se misturava com o som das ondas contra o barco.
Devia lutar contra ele mesmo para continuar a remar hora após hora. Mas o peso do peixe era tão grande que tinha de escolher: ou remar até a costa deixando o peixe lá e salvar a vida, ou expor-se a morrer no mar entando levar o peixe. Depois de um episódio de delírio ainda mais agudo, desatou a rede da barca.
Para lhe agradecer, a sereia puxou o barco até à costa.
Desde então, jamais a rede do pescador voltou vazía com a ajuda da nova amiga dele.
O barco era apenas capaz de flutuar, o mastro destroçado, a vela, ou o que ficava dela, em farrapos.
Na água, prendida no bordo da barca, a rede tinha nas malhas dela uns detritos do mar, no meio dos quais se podia ver um peixe tão grande que não tinha podido caber na barca, se estivesse sido em tão mau estado.
O pescador usava o único remo que sobrava para dirigir o barco para a costa. Estava delirante de sede, as mãos dele estavam fendidas pelas bolhas, tinha os olhos semi-abertos para os proteger do sol. No seu delírio, ouvia uma ladainha lamurienta que se misturava com o som das ondas contra o barco.
Devia lutar contra ele mesmo para continuar a remar hora após hora. Mas o peso do peixe era tão grande que tinha de escolher: ou remar até a costa deixando o peixe lá e salvar a vida, ou expor-se a morrer no mar entando levar o peixe. Depois de um episódio de delírio ainda mais agudo, desatou a rede da barca.
Para lhe agradecer, a sereia puxou o barco até à costa.
Desde então, jamais a rede do pescador voltou vazía com a ajuda da nova amiga dele.
Wednesday, April 24, 2013
A majestade do Xingu, Moacyr Scliar
Noel Nutels (Ananyev, 1913 — Rio de Janeiro, 1973) foi um médico dedicado à causa indígena no Brasil. Ele dirigiu o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas após ter sido trabalhado no Instituto Experimental de Agricultura e no Serviço de Proteção ao Índio (a atual Fundação Nacional do Índio). Moacyr Scliar escreveu uma biografia sob a forma de um romance, A majestade do Xingu, em 1997. Nele, o narrador, criança e amigo do Noel durante a travessia do Madeira da Alemanha ao Brasil do inicio dos anos 20, conta ao seu doutor a sua vida, do shtetl da Rússia onde um pogrom era sempre temido, da chegada do Exército Vermelho na aldeia e da decisão do pai de se ir embora.
Wednesday, April 10, 2013
Cada homem é uma raça, Mia Couto
O autor moçambicano Mia Couto é um amante das palavras. No seus contos, há sempre trocadilhos e palavras-valises que dão uma dimensão particular à geografia (o paralém da montanha, esta região desconhecida), às emoções das personagens, às ações delas (me irrealizava, respirareava), ou neologismos poéticos (a omniausência). Cada jogo de palavra tem sempre um sabor especial, uma surpresa inédita (Benjamin estava pálido, mais transtornado que retornado).
Thursday, March 14, 2013
As Naus, António Lobo Antunes
Quando o rei Dom Sebastião I de Portugal desapareceu aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir no dia 4 de agosto de 1578, sem deixar herdeiro para o trono, e assim permitir a Espanha um domínio de 60 anos sobre Portugal, criou-se a lenda do Rei Dormente, um rei desejado que puderia salvar o país e os Portugueses. O Sebastianismo tem um papel interessante no libro As Naus do António Lobo Antunes. Do passado do qual não se pode mudar nada, um messias poderia vir para nos salvar, mudando o presente.
Tuesday, February 19, 2013
Os Cus de Judas, António Lobo Antunes
Em Os Cus de Judas, António Lobo Antunes conta a viagem obligatória de um médico lusitano das forças armadas em Angola ao início dos anos setenta, durante os vinte e sete meses do serviço à pátria salazarista, ao Estado Novo de um Portugal adormecido num bem-estar de costumes, dos retratos dos avós em medalhas na parede, das jarras de flores de plástico no tampo dos frigoríficos, a intelectualizar a condição dele em frases longas cheias de imagens em sucessão, no ritmo lento da morosidade, monólogo que fala de manuelismo enquanto descobra um mundo fora da sua vida anterior, da sua experiência, do seu ser, sob o olho sempre presente da Pide.
Thursday, January 31, 2013
Thursday, January 17, 2013
Fronteiras perdidas, José Eduardo Agualusa
Lagartos que riem e revelam os medos íntimos das pessoas, feiticeiros supostos que andam de avião, velhote mudo num hotel abandonado há mais de quinze anos… Os contos das Fronteiras perdidas
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